sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um brinde!




'Vejo no copo, tudo aquilo que não queria ver.
Uma imagem retorcida
De uma tristeza insana.
Uma lágrima faz a imagem tremer,
E logo sinto um gosto salgado na boca.
Os meus pensamentos vão pra longe,
Buscando um motivo para tanta crueldade.
Volto, e vejo que nada mudou.
A crueldade ainda está lá.
Intacta. Cruel. Desprezível.
Olho novamente aquela imagem no copo,
E ela parece zombar de mim.
O meu coração faz um barulho maluco,
Algo parecido com vidro se espatifando.
Me aperto com meus braços, mas não adianta.
Dou um gole na bebida,
Buscando um frenesi incomparável.
Fecho meus olhos, e sinto a solidão.
Apenas o vento é meu amigo agora.
Ele me toca a face e me acaricia.
Ninguém sussura no meu ouvido,
Que eu devo seguir adiante.
Tenta me convencer que ele não merece.
Então, minha mente me mostra que é apenas imaginação.
Abro meus olhos, e ainda estou aqui, sentada, com o copo na mão.
As luzes batem nos meus olhos, como àgua, ardendo.
Não há lógica. Não há raciocínio.
Bebo um pouco mais.
Agora, um brinde a todas as pessoas que estão cansadas.
Minhas mãos estão geladas.
Minha saliva está amarga. Minhas lágrimas, a bebida...
Eu o vejo diante dos meus olhos fechados.
Ele sorri um sorriso surreal.
Balanço minha cabeça, para afastar aquela imagem.
Abro meus olhos,
E olho para o copo.
Minha imagem refletida ali.
Mil palavras que não consigo dizer...'

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Seu olhar.

'Abriu seus olhos, e sentiu sua cabeça pesar. Sua boca estava seca, e desejava imensamente um copo com àgua.
Sentou-se na cama e ficou confusa por alguns momentos. Lembrava da noite anterior. Muita gente, conversa, bebida e mais bebida... Sua amiga e um cara. Ela e um homem. Estavam parados em um posto, bebendo algo e ela sentia seus pés não tocar o chão. Sentia que flutuava.
Um sorriso apareceu no canto de sua boca. Lembrou-se que esteve com ele noite passada. Que as mãos dele acariciávam sua face, e que ele lhe tocava com muito carinho. Lembrou das vezes que a chamou de linda e que disse que a queria para sempre ao lado dele. Mas, não conseguia ver o rosto dele. Na verdade, via outro rosto entre uma piscada e outra, e via o rosto dele. Começou a se sentir confusa. Deitou novamente a cabeça no travesseiro e tentou relembrar de cada detalhe do dia anterior.
Ouviu uma leve batida na porta, e sua amiga entrou:
'Mariana? Acordou?' Disse a amiga, com a voz preocupada.
'Oi Beatriz. Sim, mas me sinto confusa!' Ela disse, com uma mão na cabeça, e uma expressão de dor no rosto.
'Lhe trouxe um copo com àgua. Vai lhe fazer bem.'
'Bee, eu estive com ele ontem? Com o Luciano, não é mesmo?' Sua voz era calma e confusa.
'Não Mah. Você esteve com o Alexandre. Algumas vezes até o chamou de Luciano, mas era com ele que você estava.'
'Bee, você tem certeza?' Ela dizia, com lágrimas nos olhos, e triste.
'Sim Mah.' A Bee disse desapontada.
'Pode me deixa sozinha por um tempo?'
Sua amiga saíu, e disse para chamá-la se precisasse. Era como se um buraco estivesse abrindo em seu peito, e fosse rasgá-la. Se deitou, colocou as mãos nos ombros, de maneira cruzada, apertando e chorou. Sentia uma dor terrível. Havia tanta certeza de que era ele noite passada, mas não era. Ficou pior por pensar que beijou outra boca que não era a do seu amado.
Sentia o ar lhe faltar nos pulmões. Seu rosto estava lavado de lágrimas, e estava toda contorcida, como se estivesse dentro de uma bolha. A sua bolha. A bolha de dor.
De imediato, veio o rosto dele em sua memória. O sorriso bobo mais lindo que já viu algum dia, e os olhos que brilharam ao vê-la, e parecia cheio de desejos.
Não, ela pensou que não poderia suportar. Ela chorou. Ela gemeu de dor. Ela ficou triste e nada mais.'

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Hey menino grande!

'Havia algo naquele olhar.
Não! Havia algo naquele todo que ele é.
Era um domingo chuvoso, e estava observando a rua, da varanda de sua casa, fumando seu habitual cigarro...
Seus olhos miraram aquele homem, tão completo. Por mais homem que fisicamente possa parecer, ainda tinha uns trejeitos de criança. Suas pernas eram longas, e seus braços pareciam um bom lugar para se esquentar. Havia barba contornando seu maxilar, e seu cabelo era de um tamanho suficiente para ela entrelaçar sua mão.
Ele corria, brincando com sua cachorra. Parecia não se importar com as gotas que caíam do céu, ou com o vento que ia de encontro com seu corpo.
Ela apenas ficou observando, de lá de cima da varanda, fumando seu cigarro, e imaginando coisas.
Se conheciam há tanto tempo, mas nunca trocaram uma palavra. Ela sempre o via como o garotinho que andava de skate na rua, nada mais.
E ficou surpresa quando reparou o quão crescido ele estava.
Os dias se passaram, e ele ainda estava na sua cabeça. Então, resolveu sentar no computador, e puxar um assunto qualquer com ele. Pra sua surpresa, ele respondeu algumas vezes, e até combinaram descombinadamente de saírem qualquer dia, pra se divertir.
Ela sabe que ele não vai olhar pra ela da maneira que ela deseja ser olhada por ele, mas já é o suficiente. Ela já pode deitar na sua cama, ouvir uma música, e sorrir, por ter alguém em quem pensar, e até mesmo imaginar coisas.
Ela sabia que havia conseguido exatamente aquilo que havia pedido. Ela pediu alguém para gostar apenas, não pediu para ser correspondida. Ela até acha que se fosse correspondida, iria se perder todo o encanto, porque, de longe, ela pode imaginar o que ela quiser, e ela pode vê-lo simplesmente perfeito, mesmo que longe...
Não, ela não vai arriscar. Ela vai, simplesmente e somente gostar!'

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Meus pensamentos!


'Não sei exatamente sobre o que escrever. Sei apenas sobre sentimentos que habitam em mim neste momento, sem um motivo humano para isso.
Sei também que ando sentindo invéja das pessoas que amam alguém em especial.
Isso me mostra o quanto vazia e morta eu me sinto. Não por não amar alguém, mas por estar tanto tempo sem amar alguém em especial.
Quando digo amor, digo de um sentimento gostoso, que, provavelmente te faça sorrir quando lembra da pessoa e você tem momentos inesperados e inesquecíveis ao lado dela.
A pouco tempo atrás eu disse que amar é errôneo demais, e, agora, estou dizendo que quero amar... Bem, a verdade, é que seria errôneo por medo de amar alguém, e simplesmente não saber como viver isso. Não sei se um dia amei alguém, de verdade, sem esperar nada em troca, de corpo e alma, ou se só estive apaixonada, e mesmo que já, não me importa.
O que me importa é que há tempos sinto esse vazio. Tenho observado ao meu redor, me esforçado ao máximo, me dedicado, e até iludido algumas pessoas e a mim mesma, mas, eu não consigo me sentir completamente de alguém, ou pelo menos metade. Eu só não sinto o meu coração bater rápido e forte por muito tempo, ou mantér uma relação por um tempo bom.
Eu me olho todos os dias no espelho e penso que um dia, uma pessoa, que eu nem espero que seja A pessoa certa, vai aparecer, e eu vou me lembrar o quanto é bom estar loucamente apaixonada.
Pode ser qualquer pessoa, eu não me importo. E pode até ser que eu não seja correspondida, o que eu não viria problema nenhum, contanto que me rendece algumas lágrimas, que mostrasse pra mim que estou verdadeiramente viva.
Verdade que me sinto ansiosa demais pra que esse dia chegue. Pra que eu olhe, e meus olhos brilhem, e eu tenha vontade de falar com ela a cada segundo, ou que minhas pernas tremam quando ela se aproxime.
Eu tenho um pouco de esperança ainda. Não que eu duvide da capacidade de alguém me fazer se sentir assim, não. Eu duvido é de mim mesma. Eu duvido conseguir me mantér apaixonada por alguém por mais de 2 meses.
Não sei se, com o tempo, eu aprendi que uma hora tudo passa, tudo se vai, e isso me fez uma pessoa mais... resistente.
Eu não peço muito. Só um pouco de amor por alguém no meu peito, porque a vida está passando, e eu já perdi tempo demais vadiando por aí.
Tudo bem. Eu sei que não presto. Sei que sempre falo muito mais do que eu sinto, e que eu geralmente não me importo, mas eu nem quero ser correspondida. Eu só quero um amor, entende?
Não precisa me aceitar como eu sou... eu já me aceito e isso é o suficiente.
Não precisa estar por perto sempre, apenas me notar quando eu estiver perto.
Não precisa ser melosa, eu não gosto muito disso.
Eu só quero ter em quem pensar, enquanto escuto essas músicas que estou ouvindo agora e que me fazem chorar, sem nem eu saber por quem estou chorando. Não quero chorar por simplesmente ser uma música bonita. Quero chorar porque me lembra alguém. Porque descreve a minha vida...
Acho que preciso dormir.'

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Amar!?


'... Aí você cultiva o amor no seu coração.
Você alimenta, deixa que ele cresça,
E você se torna dependente deste sentimento.
Mas aí, quando você pensa estar feliz,
Que está tudo certo,
A pessoa decide que não te quer mais,
E aí, começa o processo de matar o amor dentro de você.
Por isso, nunca ame.
Por mais merecedora que a pessoa possa mostrar ser,
Nunca ame.
Não faça nascer esse sentimento bom em você,
Pra em seguida, ter de arrancá-lo do teu peito,
E acabar cultivando o ódio.
Amar, acredite em mim, é errôneo.'

sábado, 31 de outubro de 2009

Seu silêncio!


'Tudo estava errado. Ela não se sentia bem para dar um sorriso. Estava vivendo em um mundo negro, o qual detestava. De sua família, somente cobranças, como se não pudesse ter uma vida particular.
Sem trabalho, sem estudar, sem sua mãe por perto, somente brigas com sua namorada, ... Ela estava quebrada, de uma maneira irreversível.
Ao final da noite, a conversa. A conversa amarga e seca, como uma pessoa de personalidade fria. A conversa que a tempos haviam adiando. A conversa, ... Não. Aquilo não foi uma conversa. Não há conversa quando uma pessoa diz algo e a outra não tem chance de retrucar. Então, ao final da noite, a decisão. A decisão de que estaria só. De que não teria mais sua namorada por perto... De certo modo, ela se sente aliviada, mesmo que não pareça. Sentia um peso a menos, sentia-se má, porém boa. Aquela sensação de fazer o que é certo, quando quer ser uma garota mimada e berrar pelo errado. Sentiu-se madura. Mas acredita que talvez tenha sido o melhor mesmo. Pelo menos neste momento.
Pela primeira vez, não conseguiu derrubar uma lágrima. Pela primeira vez, seu rosto não esboçou nenhuma reação. Nem de dor, nem de alegria, nem de tristeza, nem de mágoa. Apenas não teve reação. Ficou intacta, esperando caír em sí quando não fosse mais sentir a falta.
Pegou suas coisas, e foi até o bar comprar um cigarro. Sua casa não lhe pareceu um bom lugar para se abrigar. Sentiu vontade de ficar vagando pelas ruas, de andar sem rumo, de vê-la esperando dentro do carro, na esquina. Sentiu vontade de fazer nada. Mas seus pés a guiaram para casa. Com um cigarro nos lábios, segurando a chave em uma mão, e a sacola na outra, pareceu não pensar em mais nada. O tempo parou naqueles minutos, mas foi interrompida pelo porteiro do seu prédio, lhe oferecendo uma caixa de bala, e fazendo alguma piada da qual não se recorda.
Entrou no seu quarto, guardou seus pertences, sem pensar em recordações, sentou-se na frente do computador, e seu coração começou a bater pouco mais acelerado.
Desta vez havia de ser pra sempre. Mas ainda assim, foi covarde para se livrar de tudo que lembrava ela.
Sentiu vontade de se embriagar, assim como faz a maioria das pessoas que terminam relacionamentos.
Mas o mundo, neste momento, apenas exigia o seu silêncio.'

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Fernanda!


'Na raiva, o proibido.
Na decepção, a lágrima.
No arrependimento, deixar que se vá.
Na dor, uma lembrança.
Meu silêncio, sua vida.
Angustiada, uma notícia.
Sem seus olhar, meus erros.
Sem suas mãos, a revolta.
Sem sua voz, não há música.
Se tens que ír, então vá.
Minha fraqueza, sua liberdade.
Sua ausência, metade de mim.
Eu não suporto mais.
Eu não suporto mais.
Eu não aguento mais.
Eu disse que a minha vida dependia da sua.
Eu não suporto, não suporto, não suporto...
Não existe vida sem você aqui.'







'Fechei os olhos para não te ver.
E a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
E da minha boca fechada nasceram sussuros,
E palavras mudas que te dediquei.'



Mário Quintana!